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CARREIRA FEMININA E SEUS DESAFIOS


As pessoas me vêm como executiva de RH e empreendedora e acham que vim de família rica e sempre tive muito acesso. A verdade é que vim de uma família pobre, mas meu pai trabalhou para garantir o mínimo de educação. Na sabedoria dele, queria dar acesso à educação dos filhos que ele não teve. Estudei em escola pública e privada e conheci pessoas que me ajudaram a ampliar a consciência.


Minha carreira em recursos humanos começou durante o curso de administração. Através da faculdade entrei num estágio numa grande empresa. Lá comecei como estagiária e cheguei a gerente. Logo quando fui contratada havia saído de um relacionamento estável que não deu certo porque ele estava em outro momento de carreira. Éramos jovens para casar e eu nem tinha carreira ainda. Estava em uma fase de pura diversão. E foi assim que conheci meu outro namorado em um lugar que eu não frequentava. Tudo começou em uma brincadeira e nos apaixonamos. Ele não seria uma escolha consciente, mas inconsciente precisava daquela aventura. Tinha sido contratada, tinha salário fixo e benefícios. Ele tinha um negócio instável, que uma semana tinha dinheiro e outra não. Fui crescendo na empresa e em pouco tempo promovida. Fomos morar juntos para ficar mais perto do trabalho e dividir as despesas. Depois fui transferida para outra cidade e com um mês na nova unidade engravidei. Foi tudo tão rápido que não percebi a gravidez, só me dei conta que meu corpo estava mudando depois de dois meses, pois não tive sintomas comuns das mulheres grávidas. Retornei da licença maternidade e fui promovida para Gerente. Estava indo tudo bem na carreira e na família, até que um dia o pai do meu filho comunicou que não ficaria mais na cidade onde eu estava. Se eu quisesse ficar com ele, teria que voltar para a cidade de origem. Expliquei que isso não era possível sem planejamento. Precisaria de um tempo para encontrar uma vaga e me recolocar no mercado. Ele não aceitou e falou que ia embora. Uma semana depois dessa separação ele faleceu. Fiquei viúva aos 30 anos com um filho de 1 ano. Aquela profissional competente que começou como estagiária e chegou ao cargo de Gerente não existia mais. Um ano depois fui demitida. Essa experiência trouxe alguns aprendizados:


  • O machismo trouxe sérios problemas para o relacionamento. O fato de ganhar mais do que o homem não foi bem aceito;

  • Me dediquei muito à empresa e não olhei para o mercado. Quando fui demitida, não tinha contatos para buscar novas oportunidades;

  • Ao contrário do que alguns gestores pensam, minha gravidez trouxe mais senso de responsabilidade e produtividade.


Utilizei os recursos da rescisão para auto investimento enquanto a vaga não aparecia. Fiz um MBA de Gestão de Pessoas e Liderança, onde conheci pessoas influentes. Fui praticar yoga para buscar o equilíbrio emocional, fiz terapia e contei com muita ajuda da família e amigas. 9 meses depois consegui uma vaga em um cargo maior e que me proporcionou muito crescimento.


A minha história representa o que várias mulheres que querem ter uma carreira enfrentam. Relacionamentos com parceiros que não apoiam a carreira, maternidade que nem sempre é vista com bons olhos e a recolocação muito demorada.


Foi pensando nisso que nasceu a Atena Jobs. O desafio é tão grande que precisamos de muita ajuda. Mulheres e homens juntos precisam se unir para que as mulheres possam realizar seus sonhos. Uma família próspera é aquela que os dois estão felizes. Meu convite é começar a falar como podemos ajudar as mulheres a ter uma carreira e ao mesmo tempo atender suas necessidades. Lugar de mulher é onde ela quiser. Aquelas que escolheram a liderança corporativa, podem contar com nosso apoio.


Junte-se a nós nesta causa.


Magda Damasceno

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